A contribuição do trabalho artesanal para a emancipação das artesãs-empreendedoras

Autora: Aline Andrade (Criadora da marca Ateliê Chão de Gaia)


Olá, sou Aline, artesã e proprietária do Ateliê Chão de Gaia.


Além de artesã, sou Musicista, Fotógrafa, Assistente Social, e agora, Empreendedora. Faço artesanato desde muito nova. Veio no DNA, através da minha mãe. Mas eu nunca levei a sério, como um trabalho. Tudo o que eu fazia vendia muito bem, sempre. E aí veio a faculdade. Era o que eu queria? Acho que não. Veio um emprego bem cômodo. Eu estava feliz? Não Acredito que essa realidade esteja na vida de muitas pessoas, principalmente das mulheres com todas as questões do patriarcado. Tinha o Ateliê há pouco tempo e vendia esporadicamente como uma fonte de renda extra. Até que um dia fui mandada embora do emprego que eu era completamente infeliz e me vi num beco de saída. Sem saída não, com saída. Com 34 anos, nesse momento, passou um filme na minha cabeça de tantos artesanatos que eu já tinha feito, do artesanato que eu fazia e que era tão elogiado e bem recebido pelas mulheres, do meu modo de lidar com o público, da rede que eu estava fazendo com os atendimentos, da minha ligação forte com o feminino, a natureza, a simplicidade, a beleza e pensei...


“Como eu percebi o que eu gosto só agora aos 34 anos? E como eu fiquei tanto tempo deixando minha saúde a mercê de uma atividade que não me fazia bem?!

Comecei então a focar no meu Ateliê(minha única fonte de renda a partir de então) com todo amor. Descobri que ser autônoma é difícil, mas ser independente é melhor ainda. Descobri que acordar cedo, pegar condução para fazer feiras é cansativo, mas que é uma delícia atender mulheres durante todo o tempo que estou lá.

O artesanato é democrático, é belo, reproduz o que tem de precioso dentro de nós, nossas vontades, nossas qualidades e defeitos. Prazer em criar as próprias peças. Além de querer adorná-las, elevar a auto-estima e levar momentos de alegria com as flores, quero que o meu trabalho seja inspiração para outras que estão passando pelo mesmo processo que passei.


O medo trava a gente, mas a ajuda que aparecem na nossa frente, é libertadora. Penso em como a ação empreendedora feminina, a partir do trabalho artesanal, pode contribuir para a emancipação das artesãs-empreendedoras. E o quão isso é importante. Estou pegando uma época muito bonita. Da transição capilar, da queima dos sutiãs, do encontro de mulheres e a atenção voltada pro seu corpo e alma, da sororidade, do reconhecimento do matriarcado, da luta pela igualdade de condições...

Então, mais que nunca, temos que nos fortalecer.

Hoje me sinto mais feliz que ontem porque com o meu trabalho, posso solicitar o trabalho de outras mulheres, como: fotógrafa, consultora, etc. Além disso, chamo mulheres lindas(todas viraram amigas) para serem fotografadas e se verem de uma forma diferente, cada uma com sua beleza e força. É um processo em que todo mundo se sente feliz. E eu mais ainda Fortalecemo-nos!

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